terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os Sete


O mercado editorial brasileiro, apesar do crescimento recente, ainda é fraco em lançamentos no segmento conhecido por "Ficção Científica, Horror e Fantasia". Por esse motivo, fiquei bastante empolgado quando as listas de discussão e o fandom da área começaram a falar do escritor André Vianco, "o Stephen King de Osasco". Decidi dar minha contribuição e aproveitar para voltar a ler um livro de horror - há tempos li meu último Stephen King. Comprei Os Sete, romance sobre antigos vampiros portugueses que são encontrados presos dentro de uma caravela naufragada no litoral brasileiro.

A história é bem interessante, com uma boa divisão de linhas narrativas que voltam a se amarrar do meio para o fim do livro. A descrição das partes sanguinolentas também é bastante gráfica, e a idéia geral do livro se sustenta. Vianco é um contador de história imaginativo e seus vampiros (cada um com uma "habilidade" especial) funcionam como um time quase invencível.

Mas há um problema, na minha opinião, sério: o livro é muito mal escrito. Há alguns momentos em que parece que o autor é incapaz de usar orações subordinadas, coodenadas, ou apenas longas. Durante a leitura, eu chegava a rezar por um ponto-e-vírgula, um dois-pontos, um mero "e"... Parece bobagem, mas vá ler quase 400 páginas de: "Eles estavam no cais. O cais estava frio. O vento frio agitava seus cabelos. As ondas quebravam com força". Haja paciência! Depois de umas 20 páginas disso, a cada ponto final eu tinha um sobressalto.

O autor é um ótimo contador de histórias, mas talvez seja um cara que funciona melhor mestrando (ou mestreando) um RPG. Por exemplo, um vampiro vai tentar abrir um enorme portão enferrujado; inicialmente não consegue, então "o monstro usou sua força vampírica para abrir o portão". Quase posso me ver numa mesa de Vampiro: a Máscara, participando do seguinte diálogo: "Vou abrir o portão!", "Você não consegue, a fechadura está enferrujada", "Jogo 1d6 contra minha força vampírica", "Tirou 3, conseguiu abrir o portão!"

A questão é a seguinte: a literatura brasileira mainstream é muito rica e culta em sua forma; o esmero com o idioma é marca registrada dos autores nacionais mais importantes. Já os (sub-)gêneros fc, horror e fantasia, de uma maneira geral, dão mais ênfase no conteúdo, e acabam sendo desprezados por nossa elite cultural. É claro que há honrosas exceções (Ignácio de Loyola Brandão, com "Não Verás País Nenhum", André Carneiro) e casos semelhantes na literatura internacional (se o texto de Tolkien é refinado, Asimov é bastante básico), mas me parece que um maior cuidado com a forma seria muito produtivo para os autores nacionais, e para o gênero de uma maneira geral.

Antes que me critiquem: sei que é mais fácil dizer do que fazer. Minha novela publicada ("De Genes, Clones e Afins") é um exemplo de pouco cuidado com a forma. Meu português é até razoável :-) mas o texto é esquemático e pouco detalhado. Um amigo deu uma ótima definição: "Foi o melhor abstract de romance que eu já li". Mas com mais treino e leitura vai-se apurando a técnica - assim espero!

Para encerrar, apesar de todas as críticas, a história de Os Sete é muito bem construída. Para falar a verdade, terminei o livro louco para saber o que acontece depois (no livro "Sétimo"), mas acho que não vou comprar, não: vou procurar para baixar na rede.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Crítica da Apresentação: "Natura y Cultura"

Na última sexta-feira, dia 4 de dezembro, fui a Campinas para assistir a uma apresentação de um professor da Universidade de Barcelona - cujas áreas principais de estudo são a filosofia analítica, filosofia da ciência e lógica -, convidado por minha orientadora para falar sobre "Natureza e Cultura" com nosso grupo de Auto-Organização (como vou criticar bastante a apresentação, me reservo o direito de não dizer o nome do professor que, de maneira geral, foi extremamente simpático). Resumo, abaixo, sua apresentação:

A idéia básica é tratar o genoma e o cérebro como processadores de informação (o primeiro confiável, de longo prazo, o segundo mais contingente, em "tempo real"). "As coisas mais importantes estão no genoma", disse ao início o professor, inclusive ações como, por exemplo, o reconhecimento de faces: neste caso, o genoma cria um cérebro que já tem estruturas capazes de realizar a tarefa. Sob este ponto de vista, a Cultura é vista como um tipo de informação, presente no cérebro e cujas unidades menores (os memes, nomenclatura popularizada por Richard Dawkins no livro O Gene Egoísta) encontram-se codificadas nas conexões neuronais. Tal concepção permite a existência de uma Cultura Individual, definida como o conjunto dos memes codificados no cérebro de um ser humano x num instante t; da mesma forma, o que ele chama de Cultura de Grupo é definido como a união de todos os memes presentes em todos seres humanos x pertencentes a um grupo G num dado instante t. Mais ainda, pode-se definir a grandeza Cultura Unânime como a intersecção dos memes presentes em todos seres humanos x pertencentes a um grupo G num dado instante t; este conjunto, segundo o professor, é vazio para grupos grandes como por exemplo a população de um país.

Se você não é sociólogo, ou de áreas afins, pode não ter notado certos problemas com esta descrição; ela pode parecer até bastante atraente do ponto de vista operacional, já que é possível operar matemática e logicamente com conjuntos, por meio de regras bastante bem definidas. Mas há alguns problemas importantes aí. Se definirmos Cultura apenas como o conjunto dos conhecimentos presentes no cérebro dos indivíduos, deixamos de lado uma série de estruturas sociais, modos de armazenamento externos (livros, história oral, blogs, etc.) e relações sócio-político-econômicas que estão disponíveis aos membros de uma sociedade, mas não necessariamente se encontram completamente refletidos em suas conexões neuronais. Em outras palavras: Cultura é muito mais que a soma dos conhecimentos dos indivíduos. Eu nunca li "Dom Quixote", mas este texto pertence à minha cultura, o que me permite ler um conto de Borges sobre este livro e entender o significado de um adjetivo como "quixotesco" e de uma metáfora como "moinhos de vento".

O professor espanhol usa uma abordagem bastante ortodoxa, cartesiana, ao dividir o ente "cultura" em suas manifestações individuais (cultura individual) e mais ainda em suas menores partes (memes). Mas, faz realmente sentido pensar em uma cultura individual? Cultura não deveria ser algo definido em função das relações entre seres humanos? Faz sentido dizer que a cultura de um grupo não envolve suas práticas sociais, simbolismos, tradições que podem moldar comportamentos sem serem necessariamente expressas em codificações neuronais? E que dizer da tal cultura unânime, que seria um conjunto vazio em grandes populações? Nós brasileiros  - como de resto, qualquer participante conjunto de indivíduos que se auto-denomina "nação" - não temos, então, uma história, instituições político-sociais, idioma e o escambau em comum?

O que aconteceu nesta apresentação foi um caso de duplo colonialismo: em primeiro lugar, o professor, vindo da Europa, chegou em nossas terras tupiniquins imbuído do objetivo de doutrinar os pobres nativos: sua apresentação foi pobre, e ele não esperava que os subdesenvolvidos conhecessem algo dos assuntos por ele tratados.

Numa segunda dimensão, trata-se do colonialismo freqüente entre ciências exatas ou naturais, de um lado, e ciências humanas, de outro: muitos cientistas das áreas ditas "duras" acham que as ciências humanas estão buscando desesperadamente um método que as permita ser ciências "de verdade", seja via matematização, seja via biologização dos temas das humanidades. Ao tratar um tema tão central nas ciências humanas  como é a Cultura (totalmente central, cerne mesmo da antropologia e da sociologia) seria de se esperar, minimamente, que o professor ao menos citasse os autores e escolas de pensamento destas áreas (minto, ele citou Lévi-Strauss para dizer que ele estava errado, pois o tabu do incesto é encontrado em outros animais - sugiro leitura mais detalhada do autor-, e Freud para dizer que é religião).

Vou contar dois segredos, por favor, não espalhem: 1. Nós cucarachas não estamos desesperados por receber o conhecimento pronto gerado no Norte (ao contrário, cremos ter capacidade de contribuir como parceiros para a geração de novo conhecimento) e 2. Nós das humanidades não estamos deseperados por receber prontos os métodos das ciências naturais. É claro que as ciências humanas têm muito o que aprender e utilizar das ciências mais formais, como a física e a matemática, e devem fortalecer sua interação com as ciências biológicas (que apresentaram um crescimento muito grande no último meio século); isto não significa transplantar a matematização das primeiras ou se reduzir às últimas, situações que acabam sendo sempre aventadas e que, de resto, foram tentadas em alguns momentos, seja por pensadores das próprias humanidades, seja por "colonizadores externos".

Um exemplo de tentativa de "colonização" foi a Sociobiologia, proposta pelo entomologista norte-americano Edward O. Wilson. Esta teoria afirma que o comportamento humano pode ser estudado exclusivamente por uma abordagem evolutiva; hoje, a Sociobiologia está desacreditada, mas sua "filha", a Psicologia Evolucionária ainda dá frutos e aparece com mais destaque na mídia do que as abordagens puramente sociológicas ou antropológicas. Wilson, quando lançou sua teoria, acreditava estar auxiliando as ciências humanas, trazendo-lhes uma base biológica; o biólogo não entendeu quando vieram as duras críticas por parte das humanidades.

Ora, o fundamento das críticas era, simplesmente, o fato de que o tema das humanidades estava sendo reduzido aos parâmetros de outra ciência. Tal redução desconsidera por completo todo o desenvolvimento teórico e todo o pensamento social produzido não apenas nos últimos séculos (desde o surgimento de disciplinas específicas das humanidades) mas também de toda filosofia social que remonta até os pré-socráticos. A questão aqui foi o tratamento dado às questões antropossociais como mero apêndice do mundo natural, a ele considerado redutível, desconsiderando completamente a dimensão simbólica e cultural das sociedades humanas, bem como sua enorme diversidade. Quando se fala de primatas, há certamente pontos a serem discutidos em comum; porém, comparar "sociedades" de insetos a "sociedades" humanas é pura e simplesmente chamar duas coisas completamente diferentes pelo mesmo nome. É postura semelhante a dizer: pra falar sobre essas bobagens, falamos nós, cientistas "exatos", já que todo conhecimento se reduz ao "nosso" conhecimento.

Ao se tratar com o respeito devido os desenvolvimentos teóricos das humanidades, todos teríamos a ganhar. Enquanto o ser humano for concebido, pelas humanidades, como ser incorpóreo e etéreo vivendo num mundo puramente cultural ou, pelas ciências naturais, como ser cujo comportamento é ditado exclusivamente por seu genoma, ele não terá sido realmente concebido. Apenas quando conseguirmos entender o fenômeno humano como simultaneamente cultural, biológico e psicológico (não apenas como uma composição destes, mas percebendo que cada uma destas dimensões está "entrelaçada", "acavalada", "entranhada" nas demais, à moda de uma conjunção complexa "&") é que poderemos começar o tratamento mais correto das questões relativas ao comportamento humano, sem nos deixar levar pelo canto da sereia da redução de nossa complexidade a uma simplificação mutiladora a um desses termos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Clube do Filme

David Gilmour foi crítico de cinema, apresentador de talk-shows na TV canadense e escritor. A certa altura de sua vida, com dificuldades de conseguir emprego e um filho de 15 anos sendo reprovado seguidamente no colégio, pai e filho fazem um pacto: Jesse poderia abandonar a escola, não precisaria trabalhar nem pagar aluguel, desde que se comprometesse a ver 3 filmes, escolhidos pelo pai, a cada semana. Se possível, conversariam depois sobre o filme e suas relações com a vida dos dois.

A história deste relacionamento está no livro O Clube do Filme, escrito pelo pai após quase três anos nesta experiência. Durante este tempo, o filho cresceu, passou por crises amorosas, usou drogas e... assistiu a filmes. O pai, David, se perguntou todo este tempo se havia tomado a decisão correta ou se estaria prejudicando irremediavelmente Jesse, retirando dele o que é considerado quase que universalmente o bem maior que se pode dar a um filho: a educação. A dúvida procede: é óbvio que boa parte dos "aborrescentes", se questionados quanto à escola, prefeririam ficar em casa, coçando suas partes não-públicas-mas-púbicas, vendo TV e navegando na internet (a bem da verdade, é provável que a maioria dos adultos também respondesse isso com relação a seus empregos...); entretanto, uma coisa é um garoto de 15 anos querer algo, outra completamente diferente é um adulto responsável por ele deixá-lo ter o que quer.

David foi ousado, e deixou seu filho em casa, com a esperança de que, no futuro, ele próprio retornaria à escola (o que efetivamente aconteceu). Outra decisão positiva do pai foi apresentar a Jesse filmes de todos os gêneros e qualidades: dramas, comédias, terror, desde cults europeus até a pior trasheira hollywoodiana. Isto permitiu que o filho se identificasse mais com as sessões, sem que estas se tornassem aulas em pele de DVD.

Mas se a filmografia e a relação pai-fillho são os pontos altos desse livro, há vários pontos-baixos. Muitos trechos parecem estar lá apenas para a auto-afirmação do autor, o qual, diga-se de passagem, acaba sendo o foco do livro ao invés do relacionamento entre ele e o filho; é a volta do velho narcisismo, tocado num post anterior. Não poucas vezes me peguei pensando: tá, mas não quero saber de você, quero saber dos filmes e dos papos que você teve com seu filho. Parece que até Jesse fica de saco cheio do pai depois de um tempo; um crítico mais ácido escreveu: "pra parar aquela chatura paterna vale tudo, até trabalhar como lavador de pratos ou, suprema desdita, voltar a estudar".

Além disso, em muitas passagens parece que o autor de 50 anos é mais "aborrescente" que seu filho adolescente. Quando Jesse perde uma namorada e chapa o coco até baixar hospital, o pai pensa: "Ele vai morrer disso!". Que é isso, rapaz? Parece que David nunca foi adolescente: nessa época, tudo é difícil, importante, fundamental mesmo, e qualquer revés na vida é o fim do mundo (tem um filme que não estava na filmografia de Gilmour, Donnie Darko, que traz uma fantástica metáfora do que é a adolescência; talvez o autor devesse vê-lo...). Não vai morrer não, vai só chapar mais ainda e depois passa.

Enfim, o livro tem altos e baixos. Vale a leitura, mas achei que seria melhor.

E... não, Gabriel, nem peça para montarmos nosso próprio Clube do Filme que não vai rolar...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Viagem a Canudos

Neste último fim de semana, dias 28 e 29 de novembro, participamos de uma excursão para Canudos/BA, com os alunos do Bacharelado Interdisciplinar de Ciência e Tecnologia. A viagem foi muito boa, em diversos aspectos (relevando ônibus com ar condicionado quebrado, atrasos e confusões com pousadas e transportes).

Após uma longa jornada de ida (14 horas de ônibus), fizemos uma primeira parada em Euclides da Cunha, onde utilizamos o auditório da UNEB para dar as primeiras instruções aos alunos quanto ao trabalho de campo. A idéia foi dividi-los em 10 grupos que devem criar pequenos documentários de 10 a 20 minutos de duração, sobre temas especificados por nós e referentes à Guerra de Canudos.

Mais uma hora no ônibus e chegamos a Monte Santo, cidade pequena mas muito bem arrumada, onde Antonio Conselheiro restaurou as 24 capelinhas da Via Sacra. Subida infernal para chegar ao topo do tal Monte, onde Prof. Sandro incorporou o "Bom Jesus Conselheiro" e pregou para nós em frente à igreja, explicando (e exemplificando um pouco, hehe) aos alunos e demais professores o significado do messianismo naquela região.

Depois de uma descida quase tão ruim quanto a subida, tivemos que esperar um tempo na praça da cidade, mas valeu a pena: o pessoal do Museu do Sertão o abriu para nós, já às 19hs. Os alunos tiveram a oportunidade de ver diversos artefatos, armas e fotos da época da Guerra de Canudos, e tiraram várias fotografias para o trabalho. Na saída, Profa. Deborah participou de um "escambo simbólico": deu um pouco de atenção numa boa conversa com uma senhora da cidade e ganhou em troca umas laranjas (sob a reprovação bem-humorada dos Profs. Juarez e Gilmara). A situação me lembrou o "Ensaio Sobre a Dádiva", de Marcel Mauss, no qual se decreve a troca (mesmo simbólica) como base para a sociabilidade humana: Deborah, ao aceitar as laranjas, colocou-se (e, por extensão, a nós todos) na "família" de Monte Santo.

Dali partimos para Canudos Nova, onde visitaríamos bem cedo no dia seguinte (apesar de só conseguirmos jantar à meia-noite, dormindo muito pouco nesta noite) o Parque de Canudos, mantido pela UNEB. Esse passeio foi realmente muito bom, especialmente para entendermos melhor o carisma de Conselheiro e a loucura de seus estimados 25 mil seguidores, acreditando que aquele local árido e de solo pedregoso seria o futuro paraíso. Ali os alunos puderam conversar com os professores sobre o que viam ao seu redor, reforçando o caráter interdisciplinar da atividade. Visitamos ainda o Memorial Antonio Conselheiro, que tem recortes de jornais da época da Guerra e onde assistimos a um curta de Jorge Furtado sobre o tema.

Finalmente, encerramos os trabalhos no lago de Cocorobó, mas a reunião programada acabou acontecendo só na frente do ônibus, já nos aprontando para a partida: relaxamos um pouco na beira do lago, nos preparando para as próximas 15 horas de viagem.

Se o trabalho foi bom, a parte de integração do pessoal foi ótima. Alunos puderam interagir com outros que não fazem parte de seu círculo de amizades, com outros professores além dos que ministram as disciplinas do primeiro ano e os próprios professores puderam conhecer melhor uns aos outros e aos alunos do BI-C&T. De minha parte, pude interagir mais com vários alunos. Logo na ida, tive a companhia de Adriana e Amisael, e depois da doidinha da Drika e da Dulce, sempre quieta nas aulas e muito gente boa. Agradeço Mariana, Romário e Natália pela companhia na descida do Monte Maldito, digo Santo (junto ainda com Taíse e e minha "filhinha" Lorena), na cerveja do domingo e na viagem de volta. Foi ótimo trabalhar com meu grupo, Vanusa, Ícaro, Danielle, Aline (Cíntia, vc também estava? hehe) Agradeço também a todos que me pintaram, passaram pasta de dentes, tiraram fotos impróprias e todo tipo de sacanagens a que fui submetido neste fim de semana :) E, Gislene, você vai aprender Física, relaxa e estuda :o)

Pude também conhecer as Profas. Gilmara e Larissa e conversar um pouco com o Prof. Juarez. Agradeço aos Profs. Camila, Vicente e Deborah por me ajudarem a "domar os leões"; também ao Prof. Sandro pela idéia e iniciativa para a viagem. Last but not least, grande abraço ao Prof. Gredson que, infelizmente para nós, vai seguir seu caminho em outra universidade. De bom humor mesmo depois de 2 dias e meio de estrada, competente e sossegado, só resta desejar boa sorte no seu novo caminho. Mas você vai fazer falta aqui, cara.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Gil e as Licenças Flexíveis

Continuando, depois de muito tempo, um post em que comecei a falar sobre liberdade na internet, vou falar um pouco sobre a atuação do cantor Gilberto Gil. Digo o "cantor" para diferenciá-lo do (ex-)"Ministro", uma vez que ele nem sempre pôde aplicar na esfera pública as idéias que prega na vida pessoal.

Uma das últimas turnês do cantor chamou-se Banda Larga Cordel; a turnê começou na África, e os shows começavam com a seguinte exortação ao público: "Liguem seus celulares! Filmem o que quiserem, fotografem, gravem suas canções preferidas e coloquem como ringtones nos seus telefones. Participem. Colaborem. Publiquem no site www.gilbertogil.com.br".

O que as grandes distribuidoras proíbem, Gil incita...

Gil avança em direção ao compartilhamento: é possível baixar samples de suas músicas no site, de maneira completamente legal, remixá-los e compartilhar com os outros (até mesmo com Gil, cujo site publicas as remixagens recebidas. Isto pode ser feito de maneira legal porque Gil está disponibilizando suas músicas sob uma licença Creative Commons.

Como funciona esta licença? Bem, primeiro é necessário saber como funcionam os direitos autorais. No Brasil, a Lei 9.610/98 divide os direitos autorais em duas categorias: direitos morais e direitos patrimoniais. Direitos morais dizem respeito à autoria de uma obra: este direito é irrenunciável, você sempre será o autor de suas obras. Já os direitos patrimoniais dizem respeito ao modo como você deseja utilizar sua obra: reprodução, licenciamento, permissão de modificação, etc. A lei é rígida, pois mesmo a reprodução (parcial que seja) de sua obra depende de sua autorização prévia.

Aqui entram as licenças Crative Commons (CC): ao contrário do CopyRight ©, que afirma serem "Todos os direitos reservados ao autor", nas licenças CC você define previamente quais direitos deseja manter reservados, e de quais direitos você abre mão (ou quais tipos de uso você autoriza, antecipadamente, que sejam efetuados); em outras palavras, a licença CC afirma serem "Alguns direitos reservados ao autor", e você pode definir quais são estes direitos.

As licenças CC funcionam com algumas modalidades de direitos. Por exemplo, você pode usar uma licença "BY" (atribuição) que permite a reprodução de seu texto, mas exige que você seja citado como o autor. Perceba que caso não use uma licença "BY", você permite a reprodução de seu texto sem indicação de autor, mas você ainda é o autor - o direito moral da autoria não é alienável.

Se você não especificar, o conteúdo de sua obra pode ser alterado; caso não deseje isto, você pode escolher a modalidade "ND", que impede alterações. Esta modalidade pode ser útil, por exemplo, para uma obra literária que você deseje manter íntegra.

Outra modalidade diz respeito ao uso comercial de sua obra. Uma licença "NC" indica uso não comercial. Isto significa que qualquer pessoa pode reproduzir sua obra, mas apenas se não for ganhar dinheiro com ela. Se você não especificar esta modalidade, terceiros poderão modificar sua obra e vender o produto (por exemplo, alguém pode pegar um conto meu, quadrinizá-lo e vender sua Graphic Novel para uma editora; ou, ainda, alguém pode samplear trechos de sua música e criar novas músicas, que poderão ser vendidas num CD).

Finalmente, uma modalidade que tem estreito parentesco com o mundo do Software Livre é a "SA": esta licença exige que quaisquer obras derivadas da sua carreguem a mesma licença. Este é o conceito de herança, que tem relação com certos modos de programação (em especial, a programação Orientada a Objetos). Este tipo de licença faz com que a própria licença Creative Commons se torne tanto mais disseminada quanto as obras originais que a carregam sejam utilizadas.

As modalidades são utilizadas em conjunto. Veja no primeiro quadro à esquerda a licença utilizada por este blog: BY-NC-SA (Atribuição, Uso Não Comercial, Compartilhamento pela mesma licença). Isto significa que você pode reproduzir qualquer texto deste blog, e mesmo modificá-lo, desde que indique que o autor do original sou eu, desde que não publique em qualquer meio pago (não ganhe dinheiro com isso) e que qualquer produto derivado (qualquer texto seu que tenha como base o meu) deve carregar esta mesma licença BY-NC-SA.

Agora, você pode perguntar, e se você quiser pegar um texto meu, do blog, e utilizá-lo numa apostila (ou seja, ganhar dinheiro com isso)? A licença não permite; é possível fazê-lo? Bem, aí caímos num caso que não foi antecipadamente autorizado. Caímos no escopo da lei e, portanto, você deve agir como agiria no caso de um CopyRight: entre em contato comigo e podemos negociar; eu posso acabar nem cobrando nada de você, ou podemos fazer um contrato. Em outras palavras, as licenças CC não "quebram" a lei, elas caem em seu artigo 29, que afirma a necessidade de "autorização prévia e expressa do autor" para determinados usos.

Gilberto Gil está disponibilizando todas sua discografia neste formato. Ele teve, entretanto, alguns problemas para fazê-lo. Em especial, suas músicas mais antigas não eram mais suas! Ou, pelo menos, o direito de dispor delas como quisesse não era mais seu, pois nos contratos com gravadoras normalmente os autores abrem mão de seus direitos patrimoniais. Gil está regravando novas versões das músicas antigas, para poder disponibilizá-las sob licenças CC.

Em breve publicarei um conto aqui no blog, sob uma licença CC; você poderá modificá-lo, quadrinizá-lo, filmar um curta, fazer um flash com ele, tudo já previamente autorizado. Mas se quiser ganhar uma grana com isso, entre em contato...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Boomerite - Um romance que tornará você livre


Este blog anda muito devagar, especialmente por conta de meu trabalho com o doutorado. Mas prometo que agora volto a postar pelo menos uma vez por semana. (Re-)começo com a análise do livro que já encerrei há mais de um mês.

Boomerite - Um romance que tornará você livre, de Ken Wilber, é tudo menos um romance; também não é auto-ajuda, apesar do título (irônico). Trata-se principalmente de uma análise do mundo da alta modernidade em que vivemos.

O autor (fundador do Centro Integral, que visa desenvolver estudos nas mais diversas áreas, tendo em comum a idéia de que estamos na aurora de uma "evolução" psicológica da humanidade) já escreveu o modesto livro Uma Teoria de Tudo (cujo título ele garante também ser irônico), no qual desenvolve a maior parte de sua filosofia integral. Em Boomerite, sua filosofia é deixada um pouco de lado (aparece no final, na pior parte do livro); o que se lê é uma seqüência de seminários destinados a demonstrar parte de sua tese: que a sociedade atual (em especial a americana) é caracterizada por uma mistura de pluralismo com narcisismo.

Pluralismo, em si, não seria algo ruim, pois permitiria tanto a convivência quanto o diálogo entre pessoas e grupos diferentes. Entretanto, quando combinado com um ego gigantesco, ele termina por impossibilitar o diálogo. Quantas vezes você já percebeu que duas pessoas "parecem" estar dialogando quando, na verdade, cada uma está dizendo coisas que o outro nem ouve?

O livro vai, então, apresentando dimensões da vida social em que se percebe este "ego inflado" e pseudo-pluralista. Algumas situações são bastante específicas dos Estados Unidos (como a cultura de vitimização); já outras dizem respeito também à nossa realidade politicamente correta.

O próprio título do livro é muito específico dos EUA, ao fazer referência à geração do pós-Segunda Guerra (Baby-Boomers); quanto ao subtítulo "um romance que vai fazer você livre" trata-se de uma ironia explicitada no texto: os maiores best-sellers dos EUA na década de 90 traziam em seu nome as palavras você e liberdade.

O grande problema do livro aparece quando acaba a crítica e são apresentados alguns pressupostos do pensamento integral. Neste ponto do livro, pode-se perceber a fragilidade do argumento e a tendência a se cair em "espiritualismos nova-era". As análises políticas também são sofríveis: considerar o governo FHC, juntamente com propostas da era Clinton e o "novo" conservadorismo de Bush como indicadores de que o mundo ruma em direção a uma ruptura com modos de vida pré-integrais é brincadeira...

Ainda assim, a leitura vale pela análise crítica do munto atual, inclusive o acadêmico. Você pode não concordar com o remédio proposto (filosofia integral), mas o diagnóstico é bem agudo. Segue um trecho da introdução:

Algo parece certo: sou um filho desses tempos e eles apontam para duas direções totalmente incompatíveis. Por um lado, ouvimos constantemente que o mundo está fragmentado, dilacerado e torturado, à beira de um colapso, com imensos blocos de civilização massificados, tentando afastar-se uns dos outros, com intenções crescentemente alienadoras, de tal modo que guerras internacionais de culturas são a maior ameaça para o futuro. A tecnologia da era cibernética está evoluindo tão rapidamente que, diz-se, dentro de trinta anos teremos máquinas atingindo inteligência de nível humano, ao mesmo tempo em que avanços em engenharia genética, nanotecnologia e robótica significarão o possível fim de toda a humanidade: seremos substituídos por máquinas ou destruídos por uma peste branca – e que tipo de futuro é esse para uma criança? Em nosso país, a cada dia, a cada hora, a cada minuto, defrontamo-nos com exemplos de uma sociedade que está se esfacelando: uma taxa nacional de analfabetismo que cresceu assustadoramente de 5% em 1960 para 30% hoje; 51% das crianças em Nova York são filhos ilegítimos; milícias armadas espalham-se por Montana tal como bunkers nazistas sobre as praias da Normandia, preparadas para a invasão; uma série de guerras de culturas, guerras de gêneros, guerras de ideologias na academia, que se comparam em malignidade, se não em forma, à agressão multicultural no cenário internacional. O globo ocular de meu pai, na minha cabeça, vê um mundo de fragmentação pluralista, pronto a desintegrar-se, deixando, na sua esteira turbulenta, uma massa desfigurada de sofrimento humano sem precedentes na história.

O olho de minha mãe vê um mundo totalmente diferente, embora tão real quanto o primeiro: estamos nos transformando, paulatinamente, numa família global e o amor, em todas as suas manifestações, parece ser a força propulsora. Veja a história da raça humana: de tribos e bandos isolados a grandes cidades agrícolas, a cidades-estados, a gloriosos impérios feudais, a estados internacionais, à aldeia global. E agora, às vésperas do milênio, estamos em face de uma estonteante transformação nunca antes vista pela humanidade, onde o vínculo humano, tão intenso e tão profundo, descobrirá Eros pulsando gloriosamente nas veias de cada um e de todos, sinalizando a alvorada de uma consciência global que transfigurará o mundo como o conhecemos. Ela é uma pessoa doce e vê o mundo assim.

Não compartilho nenhuma das duas visões; ou melhor, compartilho ambas, o que me torna quase insano. Claramente, forças gêmeas, embora não só, estão devorando o mundo numa escala colossal: globalização e desintegração, amor unificador e desejos corrosivos de morte, delicadeza que aproxima e crueldade que afasta. E o filho bastardo, esquizofrênico, propenso a ataques, vê o mundo através de um vidro trincado, movendo vagarosamente sua cabeça para frente e para trás, esperando que se formem imagens coerentes, imaginando o que significa tudo isso.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Paralização no ICADS e movimento estudantil

O ICADS, Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável, campus da UFBA em Barreiras, foi fechado nas últimas semanas por um movimento dos estudantes. Entre paralização, devolução dos prédios e limpeza, foram duas semanas sem atividades; decidi escrever um post sobre o assunto apenas depois de encerrada a manifestação e após conversar com alguns estudantes (durante o movimento os professores tiveram impedido seu acesso aos prédios do Padre Vieira e Prainha).

A questão central do movimento era pedir providências com relação ao curso de Geologia: em especial, há a questão da falta de professores - ainda que outras reivindicações tenham sido levantadas, como falta de livros e laboratórios. As discussões a esse respeito já vinham sendo realizadas, no âmbito do colegiado do curso e junto à Direção do Instituto, mas sem que se chegasse a um resultado considerado favorável pelos alunos. Daí a decisão de paralisar o campus (os dois prédios) e solicitar a presença do reitor; tal decisão foi prontamente apoiada por estudantes dos demais cursos, o que resultou na paralisação quase total das atividades acadêmicas e administrativas.

Em primeiro lugar gostaria de parabenizar os estudantes por alguns fatos ocorridos, começando com a própria emergência (no sentido de emergir, surgir) de um movimento tão amplo em tão pouco tempo. Os interesses de um curso, sendo compartilhados (e examinados, à luz das dificuldades particulares de cada um dos cursos) por um contingente de estudantes forneceu o caldo para a emergência de um todo organizado. Tal todo retroagiu sobre os estudantes - talvez alguns deles tenham entendido agora as "forças sociais" de Durkheim - levando-os a repensarem sua posição e seu papel na universidade. Alguns dos alunos certamente passaram, após o ocorrido, a sentirem-se pertencendo a uma comunidade acadêmica, a uma instituição que já conta com quase 200 anos de história: este é um fruto altamente benéfico da mobilização.

A organização deste todo em partes especializadas (Comissão de Ética, Comissão de Comunicação, etc...) denota já o embrião de complexidade no movimento: de acordo com algumas teorias sistêmicas, um sistema se divide em subsistemas para enfrentar a complexidade das relações com o ambiente (no caso, ambiente foram as instâncias administrativas - Comissão de Negociação, Colegiado do Curso, Direção, Reitoria -, os demais estudantes, professores e, em última instância, a sociedade, especialmente por meio da mídia); ao se dividir, aumenta sua própria complexidade. Em resumo: um sistema aumenta sua complexidade interna para reagir à complexidade externa.

Ora, o próprio desenrolar dos fatos mostrou que esta organização funcionou relativamente bem: as negociações foram levadas a um termo agora considerado satisfatório para os manifestantes, o campus foi devolvido inteiro e limpo em suas áreas ocupadas e não há relatos - que eu conheça - de abusos e badernas durante a ocupação.

É claro que nem tudo são flores: como em qualquer negociação desta natureza, há embates, confrontos, desconfianças de parte a parte. Mas, afinal, é disso que é feita a democracia: engana-se quem pensa que este é o regime do consenso; ao contrário, a democracia é o melhor sistema para que se explicitem as divergências, antagonismos e dissenções. E com esta explicitação, freqüentemente surgem rusgas, palavras mais fortes e afirmações impensadas, de parte a parte. O ponto importante aqui é que estas tensões fiquem restritas em escopo (à arena de discussões, que já se encerrou junto com a ocupação) e em profundidade, não chegando a níveis pessoais.

Outro ponto de questionamento diz respeito à participação estudantil nas instâncias representativas formais do ambiente acadêmico. É impossível prever o que teria acontecido (o futuro do pretérito - salvo linguagem auto-defensiva jornalística - é sempre um não-futuro e um não-passado), mas é possível questionar se os estudantes estão exercendo de maneira consciente, organizada e comunicativa seu direito/dever de participação em diretórios/centro acadêmicos, colegiados, congregação. Algumas das reivindicações não poderiam ter sido atendidas por meio da participação política consciente e articulada nessas instâncias?

Quanto às reivindicações em si, tentarei manter a análise o mais distante possível, por não ser minha área de conhecimento (Geologia) nem um curso cujos alunos tenham contato direto comigo. Mas um exemplo significativo é a questão de falta de livros, até por ser algo que outros cursos enfrentam. Ora, a solicitação de aquisição de livros é responsabilidade dos professores: são eles que devem, em conjunto, criar listas de publicações necessárias ao andamento dos cursos - respeitando as condições financeiras reais de uma universidade pública. São eles que devem enviar ao responsável por compras as listas, com a devida identificação de CatMat e ISBN. O Núcleo Administrativo irá, então, montar um edital de licitação chamando as editoras interessadas a fornecer aqueles livros. Este processo todo é bastante demorado (como qualquer licitação sob a égide da 8.666/93) e ao final dele cabe também ao professor, assim que anunciada a contratação da editora fornecedora dos livros e a entrega de volumes à nossa biblioteca, checar se os livros solicitados vieram o não. Alguns podem estar esgotados; outros podem não ter sido encontrados.

Minha pergunta é: esta tarefa de acompanhamento cabe "apenas" ao professor? Certamente a ele sim, mas também aos estudantes - que, afinal, serão os usuários dos livros. E como? Por meio das instâncias representativas. Para isso é preciso um duplo movimento: colegiados comunicarem-se de maneira mais consistente com discentes e instâncias representativas discentes (DAs/CAs) e discentes organizarem-se em torno de seus representantes (individuais ou coletivos) para o acompanhamento de processos de seu interesse.

Percebam que não prego uma cobrança maior de uma parte ou de outra: prego maior comunicação e interação que terão como conseqüência uma maior inter-relação entre estas partes e certamente a emergência de formas mais adequadas de organização com um melhor fluxo informacional e maior articulação entre todos os interessados. Percebam, ainda, que não prego uma responsabilização de um ou outro agente, mas argumento no sentido da necessidade de uma maior co-participação dos envolvidos. "Isso não é problema meu" nunca resolveu nada.

Todo o dito acima culmina numa questão de postura ante a situação: li em algum lugar (desculpem, não lembro se orkut ou blog do movimento) algo como: os alunos não são responsáveis por encontrar soluções para o problema. Talvez o correto fosse: os alunos não são os únicos responsáveis por encontrar soluções. O que eu gostaria de ter lido (não-passado, esperança-de-futuro): os alunos são não só mas também responsáveis por encontrar soluções...

Cabe lembrar, finalmente, que todo movimento dessa natureza (estudantil-acadêmica) tem um perfil político e, desta forma, gera impactos na configuração de forças internas à universidade e mesmo externas, junto à comunidade. Assim, seria de fundamental importância para o aprendizado político e cidadão dos estudantes uma análise - realizada por eles próprios - a respeito do campo de forças políticas no qual eles se inseriram ao deflagar tal movimento. É necessário que os alunos reflitam a respeito da apropriação política de seus atos coletivos: sem esta análise, futuros movimentos deste perfil correm o risco de ser insuflados, radicalizados e utilizados com finalidades diversas daquelas almejadas pelos participantes.

Peço desculpas pelo post longo, mas fiquei ruminando estes pensamentos nas últimas semanas. Ainda haveria (ñ-p, ñ-f) muito o que falar (por exemplo, a participação da imprensa local que conseguiu a proza de irritar todas as partes envolvidas), mas agora, é voltar ao trabalho e mãos à obra para que tudo funcione da melhor e mais participativa maneira possível.
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